Se eu pudesse te proteger, voltava àquele dia, te salvava daquelas garras. Mas, menininha, não posso; você já se machucou: desculpa. Se eu pudesse ser deus e mudar o teu destino, o desolador findar daquilo, eu juro por ele e o mar que te tirava à força daquela casa, daqueles braços, daquela cilada. Menininha, ninguém te machucava. E como dói em mim não ter feito algo. Queria eu mesma ter te contado sobre o mundo, a vida, as pessoas, a maldade. Deveria eu ter te falado sobre ele para que não o confiasse a sua ingenuidade, para que não pusesse os pés, boca, as mãos nas mãos, boca e pés dele. Eu sinto muito que assim não fiz, menininha. Choro contigo, criança. Se eu pudesse, eu juro: mudava o disco que tocou no dia fatídico, a tua terra natal, a tua data de nascimento. Eu faria o que tivesse ao meu alcance, se pudesse. Eu te levava pra casa, dali, sã e salva. Mas eu não posso/não pude e isso me dói eternamente. Aconteceu. Ele te tocou; ele te despedaçou, menininha. E você, atada pela impunidade, não pôde fazer nada. Agora você é índice de uma violência.
Ai se eu pudesse, se eu soubesse e se não fosse eu a menininha naquele dia... Eu teria te salvado. Eu teria nos salvado. Eu queria ter acordado a gente em tempo de ser somente um sonho ruim, mas não acordei.
Para os dias de chuva. Quando a vida nos traz os piores dias -o caos- a auto-análise é o livro que me indico.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
domingo, 7 de dezembro de 2014
tá escrito
Eu vou inventar um amor que dê certo. que não tenha medo. que aceite o meu pedido de brincar o dia de hoje.
Eu vou inventar uma história bonita. que dance chico, olhos nos olhos.
Eu quero fugir dos amores covardes. que a gente, numa próxima história, deixe a bagagem do lado de fora. que a gente consiga amar-se mais e mais profundamente, além do sexo bom. peço muito?
quero alguém do tamanho da minha criança interior. saltitante. ou que igualmente machucada, siga crente no humano. sensível à novidade.
quero alguém do tamanho da minha criança interior. saltitante. ou que igualmente machucada, siga crente no humano. sensível à novidade.
Eu vou inventar um amor com a mesma intensidade. que seja eu e você. que termine bem.
Eu vou, eu vou, eu vou. vou continuar a amar com a mesma poesia, doa a quem doer. mesmo que doa em mim.
sábado, 6 de dezembro de 2014
Eu sou uma menina normal. Normal se não me ouvisse, pois, como diria a frase famosa: de perto ninguém é. E, de dentro, eu sou uma tremenda bagunça maior que a do meu quarto. Nunca me arrumei nesses dezenove anos de idade e se alguém pudesse assistir a essa minha bagunça interior, diria-me para arrumá-la imediatamente. Mas felizmente ninguém me enxerga de onde escrevo. O caos é só meu e de dentro eu me enlouqueço.
Dei para imaginar como seria dividir os meus sentimentos de angústia com alguém. Não dividi-los numa conversa com a terapeuta, com a melhor amiga, o namorado, com a mãe; e sim, se essas pessoas pudessem sentar conosco em nossos pensamentos e, pouco a pouco, fossem os acalmando e os substituindo em construtivos. Como seria bom. Mas não: só eu me posso encarar de frente e os meus demônios estão todos reunidos. Só eu que posso arrumar a minha bagunça interna, nenhuma mãozinha para essa faxina. Os pesadelos são só meus e a tempestade, daqui, parece não dar trégua e anunciar dias melhores.
Volto com boas notícias, espero,
Melinda
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