quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ontem eu conheci a minha rival


Ontem eu conheci a minha rival. A mulher que, durante meses, sem saber nada ao seu respeito, odiei. A mulher que, durante meses, fantasiei as suas qualidades, o seu jeito, o seu feitiço. Essa mulher, mulher que, além do nome, nada sabia ao seu respeito, estava ali na minha frente; sorrindo, sendo agradável. Inofensiva. Aquela mulher, a mulher que odiei, até mesmo poderia ser uma ótima pessoa. Ela gosta de sushi e tem tatuagens lindas, o que nos levaria a um início de conversa, a um bom papo, talvez o início de uma amizade ali. Mas não, aquela mulher, mulher repleta -não duvido- de força e de sonhos, quis a vida a minha inimiga.
O motivo: o nosso amor ao mesmo homem. Defeito inafiançável. Aquela mulher, irmã pelo sagrado feminino, despertou em mim o pior do humano: irracionalidade, passionalidade, raiva, inveja. Juro que lutei -como eu lutei- contra todos esses meus sentimentos corrosivos. Porque, dos meus escombros sentimentais, eu sabia que aquela mulher merecia ser feliz. Merecia o amor, um companheiro que a amasse. A minha raiva nunca partiu daquela mulher, a que vi inofensiva no sushi, e sim dos meus escombros, da minha dor, da minha desilusão amorosa. Aquela mulher, assim como eu, poderia e deveria ser feliz. Aquela mulher, assim como eu, profundamente o amou. Ela, assim como eu, planejou os melhores dias de sol ao lado dele. Ela, por destino "a minha rival", tinha toda a razão: escolheu amar, ser feliz, estar em paz. Somos iguais. Rivalidade é um termo démodé, tá em desuso demais pra gente, meninas decididas a viver.


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Minha menininha,

Se eu pudesse te proteger, voltava àquele dia, te salvava daquelas garras. Mas, menininha, não posso; você já se machucou: desculpa. Se eu pudesse ser deus e mudar o teu destino, o desolador findar daquilo, eu juro por ele e o mar que te tirava à força daquela casa, daqueles braços, daquela cilada. Menininha, ninguém te machucava. E como dói em mim não ter feito algo. Queria eu mesma ter te contado sobre o mundo, a vida, as pessoas, a maldade. Deveria eu ter te falado sobre ele para que não o confiasse a sua ingenuidade, para que não pusesse os pés, boca, as mãos nas mãos, boca e pés dele. Eu sinto muito que assim não fiz, menininha. Choro contigo, criança. Se eu pudesse, eu juro: mudava o disco que tocou no dia fatídico, a tua terra natal, a tua data de nascimento. Eu faria o que tivesse ao meu alcance, se pudesse. Eu te levava pra casa, dali, sã e salva. Mas eu não posso/não pude e isso me dói eternamente. Aconteceu. Ele te tocou; ele te despedaçou, menininha. E você, atada pela impunidade, não pôde fazer nada. Agora você é índice de uma violência.
Ai se eu pudesse, se eu soubesse e se não fosse eu a menininha naquele dia... Eu teria te salvado. Eu teria nos salvado. Eu queria ter acordado a gente em tempo de ser somente um sonho ruim, mas não acordei.

domingo, 7 de dezembro de 2014

tá escrito

Eu vou inventar um amor que dê certo. que não tenha medo. que aceite o meu pedido de brincar o dia de hoje.
Eu vou inventar uma história bonita. que dance chico, olhos nos olhos. 
Eu quero fugir dos amores covardes. que a gente, numa próxima história, deixe a bagagem do lado de fora. que a gente consiga amar-se mais e mais profundamente, além do sexo bom. peço muito?
quero alguém do tamanho da minha criança interior. saltitante. ou que igualmente machucada, siga crente no humano. sensível à novidade. 
Eu vou inventar um amor com a mesma intensidade. que seja eu e você. que termine bem. 
Eu vou, eu vou, eu vou. vou continuar a amar com a mesma poesia, doa a quem doer. mesmo que doa em mim. 

Eu continuo. anota aí.


Melinda 

sábado, 6 de dezembro de 2014















Eu sou uma menina normal. Normal se não me ouvisse, pois, como diria a frase famosa: de perto ninguém é. E, de dentro, eu sou uma tremenda bagunça maior que a do meu quarto. Nunca me arrumei nesses dezenove anos de idade e se alguém pudesse assistir a essa minha bagunça interior, diria-me para arrumá-la imediatamente. Mas felizmente ninguém me enxerga de onde escrevo. O caos é só meu e de dentro eu me enlouqueço.
Dei para imaginar como seria dividir os meus sentimentos de angústia com alguém. Não dividi-los numa conversa com a terapeuta, com a melhor amiga, o namorado, com a mãe; e sim, se essas pessoas pudessem sentar conosco em nossos pensamentos e, pouco a pouco, fossem os acalmando e os substituindo em construtivos. Como seria bom. Mas não: só eu me posso encarar de frente e os meus demônios estão todos reunidos. Só eu que posso arrumar a minha bagunça interna, nenhuma mãozinha para essa faxina. Os pesadelos são só meus e a tempestade, daqui, parece não dar trégua e anunciar dias melhores.

Volto com boas notícias, espero,
Melinda