quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ontem eu conheci a minha rival


Ontem eu conheci a minha rival. A mulher que, durante meses, sem saber nada ao seu respeito, odiei. A mulher que, durante meses, fantasiei as suas qualidades, o seu jeito, o seu feitiço. Essa mulher, mulher que, além do nome, nada sabia ao seu respeito, estava ali na minha frente; sorrindo, sendo agradável. Inofensiva. Aquela mulher, a mulher que odiei, até mesmo poderia ser uma ótima pessoa. Ela gosta de sushi e tem tatuagens lindas, o que nos levaria a um início de conversa, a um bom papo, talvez o início de uma amizade ali. Mas não, aquela mulher, mulher repleta -não duvido- de força e de sonhos, quis a vida a minha inimiga.
O motivo: o nosso amor ao mesmo homem. Defeito inafiançável. Aquela mulher, irmã pelo sagrado feminino, despertou em mim o pior do humano: irracionalidade, passionalidade, raiva, inveja. Juro que lutei -como eu lutei- contra todos esses meus sentimentos corrosivos. Porque, dos meus escombros sentimentais, eu sabia que aquela mulher merecia ser feliz. Merecia o amor, um companheiro que a amasse. A minha raiva nunca partiu daquela mulher, a que vi inofensiva no sushi, e sim dos meus escombros, da minha dor, da minha desilusão amorosa. Aquela mulher, assim como eu, poderia e deveria ser feliz. Aquela mulher, assim como eu, profundamente o amou. Ela, assim como eu, planejou os melhores dias de sol ao lado dele. Ela, por destino "a minha rival", tinha toda a razão: escolheu amar, ser feliz, estar em paz. Somos iguais. Rivalidade é um termo démodé, tá em desuso demais pra gente, meninas decididas a viver.


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